“Cotidiano” (todo dia ela faz tudo sempre igual…)
Boa noite! Blogueiro mais feliz que pinto no lixo. Ao invés de ficar triste com a “mudança” de assunto nos comentários que rolaram pelo último post, fico MEGA feliz.
Disse em algum momento que o melhor que um blog – qualquer blog – são os comentários. Se alguém duvida, é só dar uma conferidinha. Sou coadjuvante, assumido e feliz. Vcs são as estrelas, aqui =o))))
Ao invés da “réplica” cada comentário, como usual, vou sintetizar não uma “réplica”, mas meia dúzia de devaneios.
Eu confesso que fiquei mais feliz que pinto no lixo com o comentário que a Lilica puxou e virou debate. Eu sempre fui considerado feminista e confesso que até gostava da alcunha, até descobrir que isso estava começando a me cheirar a burrice. O feminismo estava mais machista que qualquer machismo que eu conhecia e isso começou a me incomodar. Ver esse questionamento de “supostos direitos” puxado por uma mulher é um alívio e tanto…
Como eu disse em outros momentos, a mulher “moderna” luta não mais para conquistar os mesmos direitos que o homem, mas para se tornar um homem. E eu acho isso particularmente estranho, considerando que o homem que ela quer se tornar não é o “modelo de homem” idealizado pela mulher, mas o mesmo homem “desprezível” que ela passou anos criticando.
Nessa revolução de gêneros, que se transformou também (compreensivelmente) numa revolução sexual, a mulher não cedeu papéis em troca de outros com o homem: ela adquiriu uma super jornada. Ela antes TINHA que ser a dona de casa e mãe. Sem escolha. Ela agora TEM que ser “business woman” (editoriais dessas revistas sempre são em inglês – tosco), mãe, mulher super-orgásmica, sarada E disponível.
Esqueceram do detalhe de que a maternidade não pode ser trocada com o homem. Pelo menos não ainda.
E o homem, nessa história? Mudou, de fato. Mas nessa “troca de porrada” a coisa se complicou, pq o homem não está nem de perto nessa parceria feminina, assumindo o papel de um pai mais presente e de um ajudante nas tarefas domésticas, que acabam ainda sob a responsabilidade da mulher. Essa responsabilidade pode ser exercida (ela faz) ou coordenada (ela manda), mas diria que é majoritariamente da mulher, “ainda”.
Não sei qual foi bem a lógica, mas me parece que o homem foi o “modelo de sucesso” que inspirou parte dessa revolução feminina. Modelinho MEEEERDA…. Isso fez com que a galera aloprasse pq o modelo escolhido precisava, para funcionar, de uma contra-partida: uma mulher subserviente. A mulher, ao querer se “igualar” com esse modelo masculino, precisaria tb de uma dose de subserviência masculina… Problema a vista: o homem não era cultural/biologica/contextualmente “preparado” para ser subserviente. E a mulher deixou de ser, nessa iniciativa de revolução (é ÓBVIO que tb não foi “feita” para ser “pisada”)… Voi la: modelo fracassado para os dois lados e guerra dos sexos que se prolonga (e agrava) até o momento.
Resultado: homens perdidos e mulheres alopradas.
O problema não é e nem foi a “revolução”. Foi e é, na minha humilde opinião, na maneira como ela foi feita. Gozar é um direito fundamental; igualdade intelectual e profissional eu nem comento… Qualquer imbecil que hj se atreva a dizer que uma mulher é menos capaz que qq homem é considerado louco, estúpido e levemente retardado. Mas há. Muitos, infelizmente.
Como muito bem disse a Maritza, essa opção que hj a mulher tem é muito teórica. Vc é forçada “pelo sistema” a ser tudo e mais um pouco.
Não que essa pressão seja específica para a mulher. Não é. Homens hj têm que ser gatos, sarados, bem sucedidos profissional e financeiramente, entender minimamente de moda, ser insaciáveis, ter pênis de pelo menos 20cm com ereções de pelo menos 3 horas ininterruptas. Será que dá pra perceber a semelhança com a cobrança com a mulher?
O que muda é que a mulher ALÉM de toda a cobrança que é parecida com a do homem, senão idêntica, ainda tem filhos e o lar para administrar. Pq essa, por n motivos, ainda é culturalmente uma prerrogativa da mulher, no final das contas.
Acho simplista e perigosa a idéia de que a troca de papéis com as mulheres do passado seja vantajoso. Depende muito da casta social, presumo. A tradicional novela de época da globo retrata aquelas “senhouras” que tinham 238 empregadas e “só” administravam a casa, essencialmente. Mas isso era exceção… O que sei da minha família é que minha avó cortava lenha no machado pra cozinhar e passar roupa, com aquele ferro de carvão tosco que muito marombeiro treme pra segurar por mais que 5 minutos. E nenhuma empregada pra fazer porra nenhuma.
A quantidade de trabalho mudou pouco para pessoas que trabalham muito, seja nessa ou nas gerações passadas. Acho que mudaram mais o tipo e a duração do trabalho… Mas a pressão pelo trabalho, essa mudou muito.
Mas a exigência, pela “globalização” do mundo, essa mudou. O discurso escroto do seja competitivo, seja melhor que seu colega, seja PHODDA, seja promovido antes dele. “Saiba se vender” dizem os especialistas em RH e babacas do gênero – ODEIO isso! Sou da época do “o bem que sua mão direita faz a esquerda não deve saber”.
Essa pressão pela perfeição em todos os níveis, da estética ao intelecto: vc TEM que saber a capital da Índia de cabeça, TEM que saber qual foi o último texto do Veríssimo que fez sucesso, TEM que saber o nome de pelo menos uma pintura de Rembrandt, TEM que conhecer alguma coisa de arte, vinhos, literatura, bolsa de valores, sexo, engenharia, cuidar do colesterol e tudo isso sem infartar antes dos 50. Sendo mulher, ainda tem que saber ser mãe e educar seus filhos. Sem desfazer o penteado…
A idéia básica é essa… E aí, meninas? Vcs concordam?
BEIJO!
D.
Novembro 15, 2008 às 9:31 pm
Moço, primeiro me explica de uma vez o que faz um pinto no lixo ser tão feliz… sempre me racho de rir qdo tu escreve isso!!!!! =D (nunca perca o “Bob” que há dentro de vc… =P)
Agora, sim, o comentário…
Eu já tinha pensado nessa questão do quanto uma dona-de-casa trabalha (minha mãe é uma e podem crer que a vida dela não são só flores tbm não!!)… o diabo é que, mesmo as mulheres tendo assumido tarefas antes exclusivamente masculinas, quem diz que os homens estão dispostos a assumir tarefas antes exclusivamente femininas??? Essa contrapartida está sendo muito mais lenta. Por essas e outras, confesso a vocês, é que morro de medo de ter um filho, e mesmo de me casar. Parece que nunca vou encontrar uma solução satisfatória, porque me dói na alma a idéia de diminuir o ritmo de trabalho. Se com o ritmo que levo HOJE mal consigo dar conta…
Mesmo assim, acredito que hoje temos pelo menos um pouco mais de livre-arbítrio, e nesse ponto saímos ganhando. Mas nunca haverá uma solução perfeita…
Bjs!
Novembro 16, 2008 às 12:17 am
Eu tava até com meda da sua reação, depois da bagunça que virou isso aqui. Ainda bem q não ficou bravo, rs. E vc concluiu muito bem o nosso debate, principalmente pelo fato de ser do sexo oposto. Fato é que a sociedade se tornou tão insuportavelmete feminista, qto é insuportavelmente machista.
Só justificando a troca com a minha bisavó, depois juro q mudo de assunto, pelo que eu soube ela devia ser uma dessas “senhouras” a la novela das seis . Filha de portugueses, casada com um fazendeiro escravocrata, morava em uma fazenda chiquerérrima lá pelas bandas de Aiuruoca – MG.
E pq não com a minha avó? Bem, ela se casou muuuuito nova, teve 10 filhos, dava aula em um colégio de freiras e ainda era parteira nas horas vagas, isso sem internet, microondas e chapinha… Por isso!
Detalhe: aos 50 e poucos anos ( e isso nos anos 50,60 ) fugiu com um cara beeeem mais velho que ela, uns 30 anos, que ela cismou que era o amor da vida dela, deixou o meu avô a ver navios, tadinho, morreu meses depois vítima de um infarto. E tudo isso, antes da fogueira de “porta-seios” ( ela chamava sutiã assim, rs ). Muderna , né
E aí vc me diz: Ta louca? E o quico? Eu lhe digo, meu caro blogueiro, mulher é GUERREIRA por natureza, desde que o mundo é mundo, e não precisava complicar tanto e nem abdicar de tantos direitos pra gente ser feliz. E tenho dito!!!
Bjos e bom fds!
Novembro 16, 2008 às 1:17 am
“o homem que ela quer se tornar não é o ‘modelo de homem’ idealizado pela mulher, mas o mesmo homem ‘desprezível’ que ela passou anos criticando.”
Parece que alguém verbalizou minha opinião…
Quanto à nossa eterna obrigação de ser perfeita, uma vez fiz um post no outro blog onde eu colaborava, e falo um pouco disso. Se vc interessar…
http://drepente30.blogspot.com/2008/07/e-voc-precisa-de-quantas.html
Novembro 16, 2008 às 4:30 am
A educação q recebo é machista. Dois filhos e uma filha, sendo eu a caçula. As obrigações domésticas sempre são mais em cima de mim. E nas festas da família é a mesma coisa. Mulheres arrumando, cozinhando, etc. Não se exige mto dos homens. Só q eles comprem a cerveja.
Ser mulher é complicado. Ouvi dizer q meu pai disse q mulher é menos inteligente q o homem. MUITO FODA saber disso. E ver meu pai falando mal da mãe… Putz. Dói muito. Ele não sabe o quanto. (sorry. momento desabafo. oq um “pouco” de álcool não faz…)
Gosto de mulher pq creio q elas são tão capazes quanto e a maioria conta com uma sensibilidade massa q se vê mto pouco em homens. (ao menos os q me rodeiam)
Tem momentos que odeio ver o comportamento dos casais. Nossa… Sabe aquela sensação de que os homens não têm a devida consideração pela companheira? Certos relaciomentos me exaurem só de assistir. Disse pra minha mãe q é melhor não casar, que os homens (pelo menos os q conheço) sempre acabam ranzinzas e chatos (e ela concordou). Não sei pq isso acontece… se é falta de sexo, se eles ficam infelizes por alguma outra razão… sei lá… às vezes acho que saber é pior. As vovós sempre são tão mais felizes.
E li um texto de um cara aí… o livro tá em algum canto, se vc se interessar avisa. Enfim, o cara falava da necessidade das pessoas pertenceram a uma tribo. De serem pseudo-cult (ou cult. se é q faz alguma diferença. cara, odeio pensar em rótulos), gostar de livros russos, saber admirar quadros, blablabla. Não se trata de um interesse real, apenas de uma aparência para se sustentar na sociedade.
Humildade é importante. Acho um saco aquelas pessoas q desprezam outras simplesmente por terem interesses diferentes e achar q o conhecimento q possuem deve ser obrigatório. Deu pra entender? Desprezo é um sentimento muito feio. Nossa… tou indo longe demais.
Bom, é muito difícil ser uma pessoa legal.
Xero!
PS: comentário esquisito ou sabe-seláoquê. bebi além do normal.
Novembro 16, 2008 às 8:36 pm
Fala sério… escrevi demais. Era pensando e digitando. Nada de backspace. E seria mto bom se eu repensasse minhas impressões do mundo.
Desculpa pelo comentário gigante!
xero
Novembro 17, 2008 às 9:35 am
Eu também fiquei com medo do nosso querido blogueiro se retar com a bagunça (para quem não mora na Bahia, “se retar” é quando a pessoa fica puta da vida com alguém).
Gostei do seu texto caro Dugrou, é mais ou menos isso que acontece. Percebi que as leitoras aqui, todas tem seu estilo de vida diferente uma das outras porém temos idéias parecidas sobre a vida.
Eu não pedi para ser tudo ao mesmo tempo. Não mesmo, mas as vezes a gente cai de paraquedas em um estilo de vida e não tem mais jeito. As minhas amigas sempre me olham com os olhinhos brilhando e dizem o quanto me admiram por ver eu criar meu filho sozinha ( o pai é TOTALMENTE de final de semana), morar só, cuidar do minha casa, correr na orla, ser uma profissional dedicada e ainda me divertir no final de semana. Mas gente isso é cansativo pra “CARALEO”. As eu queria poder dar “pause” na minha vida ou largar tudo e ir morar na chapada diamantina no meio da comunidade hippie. Mas é temporária essa vontade pois apenas estaria deixado alguns problemas aqui para ganhar outro lá.
Mas ser mulher é PHODDA.
As vezes é injusto…
Beijão meu querido.
Novembro 17, 2008 às 11:11 pm
Cara, eu tinha vontade de casar só no civil, mas mesmo assim casar. Nunca fiz parte daquelas que sonhavam casar de véu e grinalda e tudo que tinha direito. E sempre quis ter filhos. Mas a partir do momento que fui morar com alguém do sexo masculino debaixo do mesmo teto, a coisa mudou de figura. Preferi ficar no “morando junto até que a morte nos separe”. Cara, é difícil ser mulher, trabalhar, cuidar de casa e ainda por cima ter que ouvir cobrança, mas nada que um chilique não resolva hehehe Agora acrescenta um filho nisso tudo!!!!
Minha mãe é dona de casa (largou trabalho de doméstica pra casar) e sempre me aconselhou a estudar muito, conseguir um bom emprego pra nunca ter que ficar pedindo nada pra marido. E eu entendi perfeitamente o que ela quis dizer quando fiquei desempregada e já morava com meu noivo. Não vou generalizar, mas a impressão que eu tive é que homem adora crescer nestas situações. Minha vida virou um inferno cheio de cobrança pra eu virar Amélia, já que eu não trabalhava e chegamos a nos separar por um tempo. Voltamos e finalmente consegui o emprego dos meus sonhos e hoje to pouco me fudendo pra trabalho doméstico. Se tá tudo um pandemônio, to nem aí. Foda-se. Agora tô quite com ele e não aceito mais encheção de saco.
Se a mulher é capaz de fazer o que homem faz e homem não foi capaz de fazer o que mulher faz pra mim prova do quanto somos capazes!!! Pode até parecer besteira, mas é assim que eu penso. Esse negócio de ser radical não é comigo.
=)
Novembro 19, 2008 às 10:13 am
Pois é, eu concordo. Tudo é uma questão de escolhas mesmo. Coisa que eu não soube fazer direito aos 18 anos, apaixonada, acreditando que iria durar para sempre e que tinha um companheiro do meu lado. Mas a vida ensina não é mesmo? Hoje em dia eu me amo muito mais, valorizo o que me tornei e por isso também é mais difícil escolher ou achar opções melhores de escolha hahahaha.
Mas como sou uma romantica cronica, acredito que ainda acho a tampa da minha panela!
hahaahhaha
beijão D.
Novembro 19, 2008 às 1:24 pm
O que vc disse não é novidade pra mim. Por um tempo eu pensei da mesma forma, e a consequencia disso tudo foi a de eu me manter solteira e tocando o foda-se pra tudo. A gente conversou muito na época, hoje tá tudo certo, mas se acontecer de novo (vai ser difícil) e a história que se passar for a mesma, aí azeda tudo mesmo. Mas uma coisa eu falei pra ele, “reza pra não acontecer o inverso, pq vc vai pedir pra sair” hahahahaha
Bjo.
Novembro 20, 2008 às 12:10 pm
Fofinho (adoro apelidos carinhosos =P),
Ficou parecendo q meu pai é um bicho horrível. Mas não é assim… Muito do sou hoje é graças a ele. Agradeço e muito a educação que recebi. Ele foi um exemplo até quando não deveria. Aprendi qual atitude não ter, como não tratar as pessoas, etc. Todo aprendizendo é válido.
“Vamos mudar o mundo aos poucos: escolha VC um namorado/marido melhor e eduque seus filhos de uma maneira mais igualitária =0)”
Precisa nem dizer, rapah! Digo q vou fazer isso desde q notei q o mundo não é perfeito aqui em casa e q nem todos procuram essa perfeição.
Xerinho!
Novembro 20, 2008 às 12:12 pm
*aprendizado. o q vale é a intenção… haha =D